Chegada de mais leopardos ao Parque Nacional da Gorongosa.

Quinta-feira, 22 de Abril de 2021

Os três leopardos adultos – dois machos e uma fêmea – foram adicionados à população de leopardos em recuperação do Parque em Abril, elevando a contagem total para dois machos e duas fêmeas reintroduzidos desde Novembro passado.

Resgatados de áreas desprotegidas onde enfrentavam perseguição, os grandes felinos foram translocados por via aérea da África do Sul e soltos no seu novo lar selvagem de 400.000 hectares de florestas de acácias amarelas e de palmeiras, rios, lagoas e exuberantes planícies de inundação.

Paola Bouley, Directora Adjunta de Conservação do Parque, tem observado de perto os felinos recém-soltos e relata que eles estão saudáveis, seguros e explorando activamente os seus novos domínios.

Da análise do rastreio dos leopardos através da tecnologia EarthRanger.com, dois leopardos em particular – uma fêmea e um  macho – parecem estar “a dançar” à volta um do outro e prevemos que irão formar uma parelha. Ambos os felinos se têm alimentado com sucesso de cudos, impalas, facoceros e imbabalas, entre outras espécies.

Com as suas icónicas manchas, corpo poderoso e olhos cativantes, o leopardo é amplamente reverenciado como um dos animais mais bonitos do mundo, ganhando um lugar cobiçado na lista dos chamados “Big Five” de África, juntamente com leões, elefantes, rinocerontes e búfalos.

“Este é outro dia especial para a Gorongosa – um momento importante na restauração do Parque”, disse Pedro Muagura, Administrador do Parque. “Depois de muitos anos sem os podermos ver, estamos muito felizes em ter estes grandes e majestosos felinos a deambular pelo Parque”, acrescentou. A translocação desta Quarta-feira sucedeu-se a uma primeira translocação bem-sucedida de uma fêmea de leopardo da África do Sul em Novembro de 2020.

O Parque Nacional de Gorongosa é um lar ideal para leopardos: vegetação densa, árvores altas e muitas impalas – o seu alvo de caça preferido. Há 50 anos atrás, o Parque era um terreno perfeito para a fauna bravia e era um lar de uma população saudável de leopardos. Mas décadas de guerra e caça furtiva dizimaram quase todos os carnívoros do Parque bem como as suas presas.

Hoje, graças a mais de uma década de proteção pela equipa dedicada da Gorongosa, há novamente presas suficientes para sustentar os grandes predadores. Após a recuperação bem sucedida dos leões – de apenas alguns a mais de 150 – e a recente reintrodução de vários alcateias de mabecos, os leopardos são os mais recentes membros do “Clube dos Carnívoros” para retornar o seu lugar legítimo no topo da cadeia alimentar da Gorongosa.

Todos os predadores realizam funções ecológicas vitais, mas estes leopardos desempenharão um papel particularmente importante na Gorongosa. Nos últimos vinte anos, a população de macacos-cães explodiu devido à ausência de leopardos, o seu principal predador. A Gorongosa agora provavelmente tem a maior concentração de macacos-cães de África – com mais de 218 bandos documentados e uma estimativa de cerca de 10.000 indivíduos.

A superpopulação de macacos-cães provoca um ‘efeito de cascata’ em todo o ecossistema. Por exemplo, demasiados macacos-cães podem impactar negativamente as populações de muitas espécies de aves porque os macacos-cães atacam os ninhos e comem os ovos. Menos aves podem significar mais insectos e assim por diante. O retorno dos leopardos deve ajudar a controlar a população de macacos-cães e, eventualmente, trazer o ecossistema de volta ao equilíbrio.

Primeiro contacto de um dos recém-chegados com o solo Moçambicano (Foto: Piotr Naskrecki)

A chegada destes três novos leopardos traz a população total conhecida para cinco. Em 2018, um leopardo masculino solitário (provavelmente um imigrante de uma área próxima) foi visto por turistas e guias do Parque, o primeiro leopardo a ser visto no Parque em mais de 15 anos. A fêmea de leopardo translocada para a Gorongosa em Novembro passado (conhecida como ‘Sena’) também está totalmente adaptada.

Agora, com a adição de mais dois machos e mais uma fêmea, a esperança é que estes leopardos acasalem e que assim a Gorongosa possa ter os seus primeiros filhotes de leopardo em décadas. (As fêmeas dão à luz de dois a cinco filhotes e as mães ficam com os filhotes por cerca de 2 anos.) Um dos machos foi libertado ao lado do local do novo Acampamento Muzimu, programado para abrir em Setembro deste ano. Com alguma sorte, os hóspedes do Muzimu (que significa “espírito”) em breve poderão experimentar a emoção de conhecer as mais novas superestrelas de safari de Gorongosa.

Trazer os leopardos de volta a Gorongosa é a culminação de anos de planeamento e esforço da equipa de conservação do Parque. “Todos se juntaram para fazer isto acontecer e foi um esforço verdadeiramente colaborativo que envolveu vários parceiros trabalhando em diferentes lados de fronteiras internacionais”, disse o Dr. Rui Branco, Director de Conservação. “É um privilégio para toda a equipa fazer parte deste trabalho histórico de conservação”, acrescentou.

A translocação dos leopardos levou vários anos para organizar e foi possível graças a uma equipa excepcionalmente comprometida, incluindo o Projecto de Restauração da Gorongosa, a Administração Nacional das Áreas de Conservação (ANAC), a Agência de Turismo e Parques de Mpumalanga (MTPA) da África do Sul, a Wildlifevets.com, a Natura, a Agência dos Estados Unidos para o Desenvolvimento Internacional (USAID), a Fundação Oak, e o Pilatus Center SA.

Chegada de leopardos à Gorongosa, mesmo a tempo para a comemoração do Dia da Terra! (Foto: Piotr Naskrecki)

Os leopardos estão classificados como “vulneráveis” na lista vermelha da IUCN de espécies ameaçadas e perderam cerca de 65% da sua faixa histórica em África, segundo a Panthera, uma grande organização de conservação de felinos. Apesar das ameaças que enfrentam em outros lugares, estes leopardos têm um novo e acolhedor lar em Gorongosa – e seu futuro parece radioso.

Sobre o Projecto da Gorongosa:

O Parque Nacional da Gorongosa (PNG) em Moçambique é talvez a maior história de restauração da vida selvagem em África. Em 2008, foi estabelecida uma Parceria Público- Privada de 20 anos para a gestão conjunta do PNG entre o Governo de Moçambique e a Fundação Carr (Projecto de Restauração da Gorongosa), uma organização sem fins lucrativos dos EUA. Em 2018, o Governo de Moçambique assinou uma prorrogação do acordo de gestão conjunta por mais 25 anos. Ao adoptar um modelo de conservação do século XXI para equilibrar as necessidades da fauna bravia e das pessoas. O PNG está a proteger e salvar esta bonita natureza selvagem, devolvendo-o ao seu devido lugar como um dos maiores parques nacionais da África.

O PNG foi descrito como um dos mais diversos parques da Terra, cobrindo uma vasta extensão de 400.000 hectares. Nos últimos anos, o Projecto da Gorongosa, com o apoio da Administração Nacional de Áreas de Conservação de Moçambique (ANAC), garantiu a protecção de uma população em recuperação de Leões neste ecossistema, reduziu com sucesso ameaças-chave e viu o Parque reconhecido como um dos “Last Wild Places” pela National Geographic e como um dos “World’s Greatest Places” pela TIME Magazine.

Se desejar receber mais informações sobre este assunto, por favor ligue para Vasco Galante através de +258 82 2970010 (WhatsApp) ou envie email para vasco@gorongosa.net.

Para informações de carácter genérico, por favor consulte http://www.gorongosa.org

Pode seguir as actividades quotidianas do Parque Nacional da Gorongosa aqui:

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